sexta-feira, 30 de julho de 2010

Eu não sou mais um menino


Não, eu não sou mais um menino. Eu cresci. Não queria, mas cresci. Agora sou um homem, adulto. E com isso me tornei cansado, preocupado e estressado.Antes, me preocupava com a nota de inglês na escola. Agora, me preocupo com a nota de sociologia na faculdade. Antes, me preocupava com qual seria o próximo jogo que compraria pro meu videogame, agora, eu preciso saber qual vai ser o próximo jogo de um time da quarta divisão e ir lá fazer a sua cobertura. Antes, eu via a família de forma distante quanto aos problemas, agora, eu vivo cada segundo das agonias que ela vive. Antes, eu só precisava de uma noite de sono pra me recuperar de tudo o que me cansava e afligia, agora, eu não sei mais como o fazer.
Talvez eu só esteja sendo um fraco, um péssimo homem que reclamava constantemente do que tem enfrentando, mas, talvez, os problemas tenham realmente crescido e acontecido, quem sabe propositalmente, no mesmo instante. Talvez a vida queira me testar, me fazer amadurecer mais do que eu queria ou tinha amadurecido. Talvez o que eu tenha crescido não seja o suficiente ainda. Mas eu não sabia que chegava a esse ponto em que a vida torna-se sem grava, vazia, com poucos momentos de felicidade e prazer. Eu sempre achava que gente grande era feliz...mas não é o que acontece com a grande gente por aí. Nem comigo. A única presença que eu sinto, no momento, é a da ausência.
Quem sabe estou vivendo a crise dos 20 antecipada. Quem sabe eu não saiba conduzir a vida, ou quem sabe eu só não aprendi a lidar com ela ainda, de fato. Quem sabe eu seja inexperiente. Mas, quem sabe, a minha vida não esteja exatamente como eu esperava e me deu alguns golpes, quase me derrubando como uma criança. Não, eu não sou mais um menino! Eu cresci...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sinceramente

Sinceramente, eu não acreditava que a vida era isso. Um jogo de vontades, de pensamentos, de sonhos, pesadelos, de sentimentos diversos e divergentes ao mesmo tempo. Sempre achei que fosse tudo organizado por etapas, ou fases. Mas eu me enganei.
Sinceramente, nunca mais achei que fosse amar. Sempre achei que chegava uma hora em que o coração se cansava e desistia de tudo, de lutar, por medo de sofrer. Mas, eu me enganei.
Sinceramente, acreditava que sabia expressar o que sentia. Passei a vida com essa fé. Mas, infelizmente eu me engaei.
Sinceramente, acho que não sou mais eu mesmo. Sempre achei que as pessoas mudassem, mas não de forma tão grande e tão rápida assim. Pensava que fosse um processo lento. Mas, eu me enganei
Sinceramente, coisas que me faziam feliz já não fazem mais. Sempre achei que o que te dava felicidade eram sempre as mesmas coisas, mas, eu me enganei. Honestamente, dou valor a outras coisas, a outras pessoas, a outros momentos...
Sinceramente, achei que nunca me sentiria meio velho. Acreditava que me sentiria jovem por muitos e muitos anos, mas eu me enganei. Me sinto cansado, exausto, sem muita vontade de fazer muita coisa.
Sinceramente, ficou meio perdido em algumas ocasioes. Nem sempre sei o que fazer, quando ou como fazer. Acreditei que era tudo mais simples, mas, eu me enganei.
Sinceramente, nunca achei que o engano fosse válido, mas, eu me enganei.
Sinceramente, nunca tinha me sentido fraco. Sempre acreditei que seria ou me faria de forte, mas eu me enganei.
Sinceramente ? Ah, eu já não sei...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Homem e menino

Um homem. Um menino. Um menino-homem. Homem que queria ser menino e menino que queria ser homem. Homem quando toma decisões. Menino quando fica indeciso. Homem quando se trata de traçar objetivos. Menino quando cogita desistir deles. Homem quando pensa no futuro. Menino quando quer curtir o presente. Homem quando toma a dianteira, torna-se líder (de si ou dos outros). Menino quando quer ficar sossegado, esperando a vida tomar seu caminho, dar-lhe ordens para seguir(ou não). Homem quando procura disfarçar a dor. Menino quando grita sem conseguir contê-la. Homem quando esconde o sentimento. Menino quando ouve no rádio uma música que o faz lembrar do que ficou pra trás e chora. Homem quando se apaixona e cria expectativas, medos e preocupações com o novo amor. Menino quando se entrega de cabeça sem pensar em mais nada.
Homem quando se junta ao menino, mesmo que nunca tivessem estado separados, sempre foram um só, para viver um equilíbrio ou talvez uma dualidade, uma pista de mão dupla no mesmo ser. E esse ser bipolar ou intermediário tentar não decepcionar a si mesmo escolhendo (não)ser um ou os dois.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Devaneio

É tudo igual e tudo diferente. Uma monotonia comum, contínua e presente, e uma mudança de ares, de pensamentos, de vontades ao mesmo tempo. É um jogo de vivo e morto, é um misto de nada e tudo, de vazio e plenitude. São palavras vazias que dizem muito, e orações complexas que não dizem nada. É o não palpável mais possível de tocar, e o tocável que não se consegue sentir.
É tudo inexplicável e estranho. Não percebo nada de diferente, mas tudo mudou. O que está igual ? Não sei. O que mudou ? Também não. Mas assim está melhor. 
Tantas vezes fico divagando por esse mundo estranho e sem resposta dos pensamentos e sentimentos e nunca chego em lugar algum. Pensamentos sem sentido, sentimentos não pensados. Uma mudança não visível mas sensível assim... muda muita coisa sem mudar nada.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

As Faltas Sempre Iguais

O que falta acontecer ? De que forma farei com que você veja que podes fazer adiferença. Diferentemente do que já passou, deveria ser agora, mas não é. Um filme se repete, por mais uma vez e nada acontece, nem uma cena se modifica. Falta saber, se o final também será o mesmo.
O que falta ver ? Que não há chance de permancer, perdurar ? Falta entender que não é assim que as coisas deveriam acontecer ? Eu faço tudo diferente (ou tudo igual) ? Faço planos que não deveria fazer, tenho sonhos que não deveria ter ? Me falta saber o que fazer quando se sente falta, e falta alguma coisa pra me completar. 
Falta entender o porquê de tudo sempre ser igual, não importa o que aconteça de diferente. Falta enchergar, que eu provavelmente não entendo nada de amor, ou então, não tenho sorte. Falta dizer que não aguento mais inícios diferentes, meios iguais assim como os finais.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quarto Escuro

Só. Um quarto escuro, um colchão velho jogado no chão, algumas roupas sujas espalhadas pelos cantos, poeira acumulada pelo lugar. Uma janela mal fechada, meio quebrada, permitia que um feixe da luz do luar entrasse, mesmo que insignificante, mal se fazia ver.Escuridão.
Só, vazio. Pequeno, claustrofóbico, sozinho, vazio e só.
Nada mudou. Corro para ligar as luzes, não aguento mais a escuridão. Nada se acende, continuo imerso nas trevas, me desespero, tento abrir a porta. Trancada. Medo, terror, insegurança. Um grito ecooa no mar negro.
Abro os olhos, respiração ofegante. Olho em volta, está tudo igual. Um quarto escuro, um colchão velho jogado no chão...